'Nossa terra, nosso céu:' Palestinos da Cisjordânia empinam pipas desafiando os colonos israelenses
⚡ Resumo rápido
Enquanto pipas coloridas sobem sobre Burin, uma aldeia palestina na Cisjordânia ocupada por Israel, crianças correm por uma encosta ensolarada, observando suas criações subirem ao céu.
Enquanto pipas coloridas sobem sobre Burin, uma aldeia palestina na Cisjordânia ocupada por Israel, crianças correm por uma encosta ensolarada, observando suas criações subirem ao céu.
Atrás deles, as casas com telhados vermelhos de Har Bracha, um assentamento israelense, dão para a aldeia abaixo.
Estabelecido em 1983, o assentamento, ilegal sob o direito internacional, é um dos vários que circundam Burin, uma vila com alguns milhares de habitantes.
Palestinos e ativistas solidários empinam pipas em direção ao assentamento israelense de Har Bracha, na vila de Burin, ao sul de Nablus, na Cisjordânia ocupada, em 10 de julho de 2026. —AFP
Todos os verões, desde 2009, os moradores se reúnem nesta colina para um festival de pipas, realizado em terras que foram parcialmente perdidas após terem sido ocupadas ilegalmente por colonos.
"Queremos dizer aos colonos que esta é a nossa terra, este é o nosso céu. Se não conseguirmos mais chegar a essas terras, as nossas pipas poderão", disse à AFP Ghassan Najjar, um dos organizadores do festival.
Embora o festival seja principalmente para crianças, também traz uma “mensagem política”, diz ele.
No Burin, as conversas raramente se afastam dos ataques aos colonos ou da expansão constante dos colonatos israelitas pelo território palestiniano.
Palestinos e ativistas solidários empinam pipas em direção ao assentamento israelense de Har Bracha, na vila de Burin, ao sul de Nablus, na Cisjordânia ocupada, em 10 de julho de 2026. —AFP
Já em 2008, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) tinha alertado sobre ataques de colonos na área, citando tiroteios contra residentes de Burin e o desenraizamento das suas oliveiras.
‘Nossas raízes’
Durante algumas horas, porém, a encosta ganha ares de feira de aldeia.
Um palhaço pinta os rostos das crianças, a música enche o ar, enquanto as famílias espalham tapetes de piquenique pela grama.
Pipas nas cores preta, branca, verde e vermelha da bandeira palestina voam no alto, acompanhadas por outra nas cores do Egito, hasteada em homenagem à seleção egípcia de futebol.
“Nossas crianças têm o direito de brincar e de ter uma vida real e boa”, diz Najjar.
Palestinos e ativistas solidários empinam pipas em direção ao assentamento israelense de Har Bracha, na vila de Burin, ao sul de Nablus, na Cisjordânia ocupada, em 10 de julho de 2026. —AFP
No entanto, mesmo esta celebração desenrola-se à sombra do conflito.
Antes de se reunirem, os moradores dizem que primeiro verificaram se não havia grupos de colonos israelenses por perto.
“Às vezes temos medo… No ano passado não viemos porque os colonos atacaram a aldeia”, diz Sanaa Bashar Najjar, de 15 anos.
"Ficamos apenas meia hora ou uma hora, só para apanhar um pouco de ar fresco. Com a guerra e as dificuldades económicas, estamos simplesmente a tentar respirar." Outra moradora, Dalia Zaban, diz que a casa dos seus pais foi atacada, as janelas quebradas e os carros vandalizados.
“Hoje, só esperamos que eles não venham aqui”, disse ela.
À medida que a tarde avança, o vento começa a diminuir e as pipas lentamente voltam à terra.
Palestinos e ativistas solidários empinam pipas em direção ao assentamento israelense de Har Bracha, na vila de Burin, ao sul de Nablus, na Cisjordânia ocupada, em 10 de julho de 2026. —AFP
Os aldeões, porém, dizem que voltarão no próximo verão, determinados a recuperar pelo menos um pedaço de céu.
Usando óculos escuros e vestido com cuidado, Qusai Walid Eid, morador de Burin, resume o sentimento, dizendo que comparece ao festival todos os anos para fortalecer “nossas raízes nesta terra”.
← Voltar