KARACHI: Visitar Lyari nesta época em que a Copa do Mundo da FIFA está chegando é uma experiência. A febre do futebol está aumentando. Andar por cada viela conta uma história sobre o amor da comunidade pelo futebol. Famoso pelas guerras territoriais e pelo tráfico de drogas, Lyari também é conhecido como ‘Mini Brasil’ porque enquanto os aspectos negativos dividem a comunidade, o futebol a une. As vielas estreitas e sinuosas de Lyari permitem que as crianças e jovens que jogam futebol aqui dêem principalmente passes curtos e se tornem grandes dribladores da bola. Seu estilo de jogo lembra o dos jogadores brasileiros. Sua aparência também se assemelha e para realçar essa característica específica você encontrará a maioria dos jovens ostentando os penteados de seus jogadores brasileiros favoritos. Esse repórter deve ter encontrado cinco ou seis sósias de Neymar só por causa do cabelo. Com a instalação de telões gigantes e paredes pintadas com bandeiras, os jovens exibem os penteados de seus jogadores de futebol favoritos Ainda assim, com o tempo, houve algumas mudanças nas opiniões. Abdul Waheed, um popular treinador de futebol e empresário, disse que antes o povo de Lyari tinha um time favorito, o Brasil, ao qual todos se associavam. "Mas agora, você encontrará aqui os amantes do futebol associando-se a jogadores específicos, e não a times. O acompanhamento dos torcedores por um jogador é o que os aproxima dos times", disse ele. “Por exemplo, os torcedores de Neymar são atraídos pelo Brasil, os torcedores de Messi torcem pela Argentina e os torcedores de Ronaldo são todos por Portugal”, explicou. “Foi assim que a mania do Brasil no Mini Brasil caiu de 100% para 80%”, acrescentou. As crianças que jogam futebol na Academia de Esportes Al Usmani, que inclui meninas, são em sua maioria torcedores brasileiros. Ali Mohammad, Tanya Faisal, Umme Safa Abdul Majeed, Safa Shakeel e Sonia são torcedores leais do Brasil, mas também há Abdul Aziz e Saima que estão dispostos a apostar que Portugal terá um desempenho melhor que o Brasil nesta Copa do Mundo. “O que dizer de Portugal, o Brasil vai perder a primeira partida contra o Marrocos no dia 14, vocês vão ver”, disse Abdul Aziz. "A cada quatro anos, à medida que a Copa do Mundo de futebol se aproxima, todo o humor de Lyari muda. O lugar ganha vida como nenhum outro. Com telões instalados em todos os campos, parques e até mesmo em cruzamentos e encruzilhadas, esquecemos todos os nossos problemas para apenas aproveitar o jogo, apesar de não haver espaço para o futebol neste país", ressalta Abdul Waheed. Abdul Rasheed é um pintor e decorador local na área de Baghdadi, em Lyari. Mas durante esse período ele dedica todas as suas energias para pintar bandeiras dos países participantes da Copa do Mundo nos muros dos bairros. Claro, as bandeiras brasileiras ocupam paredes inteiras dos edifícios. “O Brasil tem seu charme, mas eu também pinto outras bandeiras, além de pintar retratos de vários craques de times diferentes”, disse ele. A febre da Copa do Mundo atingiu altas temperaturas em Ali Mohammad Mohallah, na área de Kalri, em Lyari, onde não sobrou nenhum muro que não tenha uma bandeira ou um jogador de futebol popular. Amarradas a cordas, bandeiras de diferentes países também tremulavam. Uma bandeira iraniana em um mastro alto no telhado de um prédio também tremulava com a brisa noturna. “Este ano mereceu o ponto mais alto”, sorriu Yasir Ali, um jovem do bairro. Ele também disse que ele e outras crianças andavam arrecadando dinheiro para bandeiras, tintas e decorações. "Os lojistas da região doaram alegremente 50, 100 ou 200 rúpias para decorar nossas ruas e vielas. Não é todo dia que se tem Copa do Mundo", ele sorriu. Entre as bandeiras estava uma bandeira do Paquistão, o que levantou uma questão. Ele disse. “As pessoas não percebem que o Paquistão também participa sempre na Copa do Mundo da FIFA, já que todas as bolas de futebol utilizadas na competição que dura mais de um mês são fabricadas no Paquistão”, lembrou. Publicado em Dawn, 7 de junho de 2026