• Cita o acesso restrito a instalações nucleares bombardeadas como principal razão para lacunas na inspeção, nega a procura de armas nucleares • A AIEA alerta que a falta de acesso representa uma “preocupação de proliferação” e apela à retoma imediata das atividades de verificação TEERÃ: O Irão repudiou um relatório da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) como uma “ferramenta de pressão política”, na sequência de preocupações sobre o acesso restrito à sua instalação nuclear. Teerão estava envolvido em discussões com Washington sobre o seu programa nuclear quando os Estados Unidos e Israel o atacaram em 28 de Fevereiro, desencadeando uma guerra na região. Israel já tinha atacado o Irão em Junho de 2025, também enquanto Washington e Teerão estavam envolvidos em negociações nucleares, com Washington a juntar-se a ataques posteriores antes de um cessar-fogo ser declarado. Durante ambos os conflitos, as instalações nucleares iranianas foram bombardeadas repetidamente. “Se a agência quiser fazer parte de uma solução diplomática, deve abster-se de transformar um relatório técnico numa ferramenta de pressão política”, escreveu o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, no X. Num relatório confidencial ao qual a AFP teve acesso na quinta-feira, a AIEA afirmou que a falta de acesso às instalações nucleares no Irão constitui uma “preocupação de proliferação”. “Embora a agência reconheça que os ataques militares às instalações e locais nucleares do Irão criaram uma situação sem precedentes, é fundamental que a agência conduza atividades de verificação no Irão sem demora”, afirmou a AIEA no relatório. A AIEA nunca condenou os ataques israelo-americanos às instalações nucleares iranianas. Gharibabadi disse no sábado que os ataques israelo-americanos “não são apenas uma violação da soberania do Irão”, mas também “um golpe direto à segurança nuclear”. “Não se pode bombardear instalações protegidas, destruir o acesso e a segurança necessários às inspeções e depois usar as consequências desse mesmo ataque como uma queixa contra o Irão”, argumentou. Os países ocidentais, liderados pelos EUA e por Israel – inimigo jurado do Irão e considerado pelos especialistas como a única potência nuclear no Médio Oriente – acusam Teerão de tentar adquirir armas nucleares. O Irão nega ter tais ambições. Em Junho de 2025, os Estados Unidos bombardearam três instalações nucleares no Irão, o que, segundo o presidente norte-americano, Donald Trump, permitiu “aniquilar” o programa nuclear do país. A extensão exacta dos danos não é conhecida, contudo, e o Irão cita preocupações de segurança para justificar a recusa de acesso aos locais. Antes dos ataques dos EUA em Junho de 2025, a AIEA calculou que o Irão possuía aproximadamente 440 quilogramas de urânio altamente enriquecido. Desde Junho de 2025, o destino deste arsenal, visto pela última vez pelos inspectores da AIEA em 10 de Junho de 2025, permanece incerto. Publicado em Dawn, 7 de junho de 2026