O primeiro-ministro cessante, Keir Starmer, disse que quem o suceder terá de dedicar tanto tempo às crises internacionais e à diplomacia como ele, rejeitando sugestões de que o próximo líder britânico poderia concentrar-se mais fortemente nas questões internas. Starmer, que anunciou no mês passado que deixaria o cargo após dois anos no cargo, disse em entrevista à BBC na sexta-feira que a política externa e interna não poderia ser separada, já que a Grã-Bretanha enfrenta um mundo cada vez mais volátil. "Há frequentemente esta discussão: qual é o equilíbrio certo entre lidar com assuntos internacionais e lidar com assuntos internos? São a mesma coisa", disse ele. Questionado sobre se um primeiro-ministro poderia dedicar menos tempo à diplomacia do que dedicou, Starmer respondeu: “Não, não creio que seja possível”. Starmer enfrentou críticas de alguns oponentes pela quantidade de tempo que dedicou à política externa. O legislador Andy Burnham, que deverá substituir Starmer, prometeu concentrar-se nas prioridades internas, incluindo padrões de vida, habitação, infra-estruturas e na transferência de mais poder para as regiões britânicas. Num vídeo intitulado “With Keir” e publicado no X no sábado, Starmer defendeu o foco internacional do seu mandato, dizendo que a Grã-Bretanha restaurou a sua posição global. Ele citou o apoio à Ucrânia e a participação em coligações internacionais entre as suas principais realizações. “O facto de agora outros países recorrerem a nós em busca dessa liderança é algo de que estou muito orgulhoso de ter conseguido nos dois anos que estivemos no governo”, disse ele. Starmer também apontou a estabilização da economia, a redução da pobreza infantil e a melhoria do Serviço Nacional de Saúde entre as suas principais realizações.