Copa do Mundo: atletas e dirigentes iranianos cobram da Fifa condições melhores do que as oferecidas pelos EUA
⚡ Resumo rápido
Seleção do Irã cobra da Fifa condições melhores do que as oferecidas pelos Estados Unidos Na Copa do Mundo, o Irã estreou com um empate contra a Nova Zelândia.
Seleção do Irã cobra da Fifa condições melhores do que as oferecidas pelos Estados Unidos
Na Copa do Mundo, o Irã estreou com um empate contra a Nova Zelândia. Atletas e dirigentes iranianos cobraram da Fifa condições melhores do que as oferecidas pelos Estados Unidos.
Não era só futebol. Jogar em um país com o qual se está em guerra traz muitos desafios, e os americanos impuseram uma série de restrições. Os jogadores iranianos conseguiram os vistos em cima da hora - apenas dez dias antes da estreia. Alguns integrantes da comissão técnica ficaram sem. A base do time, que seria montada no estado americano do Arizona, teve então que ser alterada de última hora para Tijuana, no México. Os iranianos só foram autorizados a entrar nos Estados Unidos 36 horas antes de cada jogo.
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Tudo isso afetou a preparação dos jogadores até a estreia na segunda-feira (15) em Los Angeles. A cidade americana abriga a maior comunidade iraniana fora do país. Poderia ser um apoio importante para a seleção. Mas este era o cenário antes do jogo: protestos. A bandeira com o leão e o sol era a bandeira do Irã antes da Revolução Islâmica de 1979, quando o Irã era governado por uma monarquia, a monarquia dos xás. Ela está sendo usada pelos iranianos que moram em Los Angeles como um símbolo de protesto contra o regime dos aiatolás e contra participação do Irã nessa Copa do Mundo. A Fifa proibiu a bandeira no estádio a pedido da federação iraniana. Não adiantou. Muita gente entrou com ela.
“Não é sobre bandeira, futebol, o time. É um regime que tem matado pessoas que estão pedindo liberdade nas ruas. Mesmo que eles façam 20 gols, qual é a razão para celebrar?”, questionou uma torcedora.
Copa do Mundo: atletas e dirigentes iranianos cobram da Fifa condições melhores do que as oferecidas pelos EUA
Jornal Nacional/ Reprodução
Mas nem todos estavam ali para protestar.
“Sou a favor de um Irã livre, mas estou aqui para apoiar a população do Irã e a seleção”, disse uma outra torcedora iraniana.
Dentro do estádio, a Nova Zelândia saiu na frente com Just, logo no início do jogo. Rezaeian empatou para o Irã. Just marcou mais um para a Nova Zelândia, no segundo tempo. Mas Mohebi deixou tudo igual novamente.
Apesar dos protestos, a torcida iraniana apoiou a seleção no estádio. Mas, em um sinal de que essa não era uma estreia comum, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, foi até o vestiário conversar com a seleção iraniana; afirmou:
“Eu sei o que estão passando, eu entendo. Mas vocês são mais fortes do que tudo. Nessa noite, vocês uniram o estádio todo aqui no apoio ao time e estão mandando uma mensagem forte ao mundo todo. Obrigado”.
Copa do Mundo: atletas e dirigentes iranianos cobram da Fifa condições melhores do que as oferecidas pelos EUA
Jornal Nacional/ Reprodução
Infantino ouviu do treinador Amir Ghalenoei, em persa, o quanto foi difícil estar ali:
“Nós fomos o time mais agredido na Copa do Mundo por causa das condições e do efeito que criaram para nós, e isso foi uma injustiça para este time”.
E Ghalenoei concluiu com um pedido:
“Eu espero que a Fifa aja com um pouco mais de força para que o time não seja mais oprimido e desrespeitado”.
Mesmo depois da conversa, o capitão do time, o atacante Taremi, reclamou de ter que deixar o país no mesmo dia do jogo, sem o tempo de descanso:
“A Fifa tem que nos ajudar mais do que isso”, cobrou.
Na volta para o México, ele e um auxiliar da seleção tiveram problemas ao embarcar por causa da checagem de documentação. Foram liberados, mas o processo atrasou a decolagem, o que deixou o retorno depois do jogo ainda mais exaustivo para os iranianos.
No domingo (21), esse roteiro se repete. O Irã volta a Los Angeles para o segundo jogo da Copa.
A Federação Iraniana de Futebol informou que o jogador Mahdi Torabi teve problemas ao sair porque recebeu visto para apenas uma entrada nos Estados Unidos e que esse visto valia por poucas horas. A federação disse que tudo ficou resolvido, que ele recebeu um novo visto que permite várias entradas a partir de agora.
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