Obstetra preso por morte de grávida e bebê tentou fugir ao ser abordado, diz polícia
⚡ Resumo rápido
Higo Moreira Fonseca Reprodução/Redes Sociais O obstetra Higo Moreira Fonseca, investigado pelas mortes da gestante Bárbara Luana Fernandes Aleixo, de 29 anos, e do bebê que ela esperava de 30 semanas, tentou fugir ao ser abordado por policiais civis na manhã de terça-feira (9), em Três Marias, na região Central de Minas Gerais.
Higo Moreira Fonseca
Reprodução/Redes Sociais
O obstetra Higo Moreira Fonseca, investigado pelas mortes da gestante Bárbara Luana Fernandes Aleixo, de 29 anos, e do bebê que ela esperava de 30 semanas, tentou fugir ao ser abordado por policiais civis na manhã de terça-feira (9), em Três Marias, na região Central de Minas Gerais. A informação consta nos depoimentos dos agentes que participaram da prisão do médico.
A polícia passou a investigar o caso na quarta-feira (10) como suspeita de negligência médica e omissão de socorro em contra a paciente, que tinha 29 anos, e procurou atendimento na cidade que fica a 1h30 de São Gonçalo do Abaeté , onde ela morava.
Segundo a Polícia Civil, os agentes foram até a casa do obstetra após a confirmação das mortes para levá-lo à delegacia. No local, Higo estava dentro de um carro e recebeu ordem para desembarcar.
De acordo com os policiais, o médico não obedeceu imediatamente à ordem e engatou a marcha à ré, o que levantou a suspeita de uma tentativa de fuga. Diante da situação, uma policial civil sacou a arma para garantir a segurança da equipe e impedir a movimentação do veículo, que foi interceptado em seguida.
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Após a abordagem, o médico foi levado ao Hospital São Francisco para passar por exame de corpo de delito. Em seguida, foi encaminhado à delegacia, onde prestou depoimento.
Ao g1, o advogado do obstetra, Higor Magid Lauar de Castro Vieira, contestou a versão da polícia. Segundo ele, o médico não deu ré para tentar fugir e que isso foi uma interpretação dos policiais.
Sobre o caso, o advogado disse que o médico já foi colocado em liberdade na manhã de quinta-feira (11) e destacou que a investigação ainda se encontra em fase inicial, razão pela qual a adequada compreensão dos fatos exige cautela e dependerá da análise de todos os elementos que vierem a ser produzidos e considerados pelas autoridades competentes ao longo da apuração. Leia a nota completa abaixo.
A Polícia Civil afirmou que o juiz concedeu a liberdade provisória, mediante a imposição de medidas cautelares na quarta-feira (10).
O Hospital São Francisco também foi procurado pela reportagem, mas não houve retorno até a última atualização da matéria.
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A suposta tentativa de fuga foi registrada pela Polícia Civil durante a ocorrência que apura as circunstâncias das mortes de Bárbara Luana e do bebê que ela esperava. Mãe e filho eram naturais de São Gonçalo do Abaeté.
Segundo a Polícia Civil, depoimentos de testemunhas e documentos analisados apontam que Higo Moreira Fonseca era o obstetra responsável pelo plantão de sobreaviso no dia do atendimento. Ainda conforme a investigação, ele teria sido acionado diversas vezes pela equipe médica para avaliar a gestante.
De acordo com os relatos, o médico recebeu ligações e mensagens por aplicativo, mas não compareceu ao hospital durante o período considerado crítico para o atendimento.
🔍 O plantão de sobreaviso é uma modalidade em que o médico não permanece no hospital durante todo o período, mas deve ficar disponível para ser acionado e comparecer à unidade sempre que houver necessidade de atendimento especializado.
A Polícia Civil informou ainda que, segundo os depoimentos colhidos, o médico só chegou ao hospital após a segunda parada cardiorrespiratória da paciente. Naquele momento, Bárbara já estava morta.
Em depoimento à polícia, porém, Higo Moreira Fonseca apresentou uma versão diferente da relatada pelos profissionais do hospital. O obstetra afirmou que não foi informado de que se tratava de uma emergência obstétrica, negou ter ignorado os chamados e atribuiu falhas à equipe de plantão.
Segundo o médico, ao chegar ao hospital, ele encontrou a paciente sem assistência adequada. Ainda de acordo com o depoimento, a médica responsável não soube informar se Bárbara estava viva ou morta.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil. Inicialmente, a corporação apura os crimes de negligência médica e omissão de socorro.
Relembre o caso
Segundo a sogra de Bárbara, Jusimara Ferreira da Silva Leite, a gestante estava com 30 semanas de gravidez quando procurou atendimento no Hospital São Francisco, em Três Marias, na noite de segunda-feira (8). De acordo com ela, Bárbara buscou ajuda médica após apresentar pressão arterial elevada.
Jusimara afirmou que Bárbara recebeu medicação para controlar a pressão arterial. No entanto, segundo ela, a gestante passou a sentir fortes dores, teve episódios de vômito e apresentou piora no estado de saúde ao longo da madrugada.
A sogra rtambém relatou ter presenciado desmaios da gestante. Segundo ela, em um dos momentos de agravamento do quadro, Bárbara chegou a dizer que iria morrer.
Na avaliação de Jusimara, houve demora no atendimento especializado. Segundo ela, o desfecho poderia ter sido diferente caso o obstetra tivesse comparecido ao hospital ou orientado a transferência da gestante para uma unidade com mais recursos.
Bárbara Luana Fernandes Aleixo, de 29 anos, e o bebê que ela esperava, com 30 semanas de gestação, morreram por volta das 5h45 de terça-feira (9).
Segundo o Hospital São Francisco, a morte ocorreu cerca de 20 minutos após a última de mais de cinco tentativas feitas pela equipe médica para que o obstetra de sobreaviso, Higo Moreira Fonseca, comparecesse à unidade de saúde, em Três Marias.
Segundo o diretor do hospital, Joaquim Pereira de Melo Neto, o primeiro contato com o médico ocorreu às 22h08 de segunda-feira (8). O último foi registrado às 5h25 de terça-feira (9).
Ainda conforme o depoimento, em todas as ocasiões o obstetra se recusou a atender ao chamado por considerar que o caso era clínico, e não obstétrico.
Após a confirmação das mortes da gestante e do bebê, a Polícia Civil foi acionada e abriu investigação para apurar o caso.
A investigação reconstruiu, em ordem cronológica, as tentativas feitas pela equipe médica para acionar o obstetra enquanto o estado de saúde de Bárbara Luana Fernandes Aleixo se agravava.
Segundo os depoimentos reunidos no inquérito, a gestante apresentava sinais compatíveis com a evolução para um quadro grave de eclâmpsia.
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Médico chegou ao hospital depois das 5h
Quando Higo Moreira Fonseca chegou ao hospital, por volta das 5h27, Bárbara Luana já estava em parada cardiorrespiratória irreversível.
Segundo os depoimentos reunidos no inquérito, o anestesista de plantão defendeu a realização imediata de uma cesariana pós-morte na tentativa de salvar o bebê, que estava com 30 semanas de gestação.
O obstetra solicitou que o material cirúrgico fosse separado, mas decidiu não realizar o procedimento.
Conforme registrado nos autos, ele determinou que os kits permanecessem fechados por entender que o período sem oxigenação já tornava inviável a sobrevivência do bebê sem graves sequelas neurológicas.
Segundo a Polícia Civil, a prisão foi realizada com base em depoimentos, documentos e outros elementos reunidos durante a investigação. A corporação também considerou a ausência do médico durante parte do atendimento à gestante.
Com essas informações, equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar (PM) localizaram e prenderam o obstetra.
Inicialmente, Higo foi preso em flagrante por suspeita de omissão de socorro.
Na delegacia, a prisão foi mantida e o enquadramento passou a considerar a suspeita de dois homicídios.
Na quarta-feira (10), a Justiça concedeu liberdade provisória ao médico, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Ele foi solto na manhã de quinta-feira (11).
As investigações seguem em andamento.
O que disse a defesa do médico
"Manifestamos preocupação com a circulação de informações incompletas, especulações e conclusões antecipadas acerca dos fatos atualmente objeto de investigação. Inicialmente, registramos nosso respeito à memória das pessoas envolvidas e nossa solidariedade aos familiares que enfrentam este momento de profunda dor.
É importante destacar que a investigação ainda se encontra em fase inicial, razão pela qual a adequada compreensão dos fatos exige cautela e dependerá da análise de todos os elementos que vierem a ser produzidos e considerados pelas autoridades competentes ao longo da apuração.
Também é necessário esclarecer que a atividade médica em regime de sobreaviso constitui modalidade regularmente reconhecida e regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina, não se confundindo com plantão presencial permanente nas dependências hospitalares. Trata-se de modelo amplamente utilizado em instituições de saúde públicas e privadas em todo o país.
Da mesma forma, é importante registrar que o contexto assistencial objeto da investigação apresenta complexidade superior àquela que vem sendo retratada em parte do debate público, envolvendo circunstâncias e elementos que ainda serão devidamente analisados e esclarecidos no curso da investigação pelas autoridades competentes.
A defesa reafirma sua confiança nas instituições responsáveis pela apuração dos fatos e recorda que a Constituição da República assegura a toda pessoa o direito à presunção de inocência, ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal."
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