Paranaense relata rotina de 20 dias em bunker na guerra da Ucrania Escondido em um buraco coberto por madeira, lona e terra, o paranaense Marcelo Andrade, de 37 anos, passou cerca de 20 dias próximo à linha de frente da guerra na Ucrânia. O combatente voluntário conta que enfrentou falta de água, escassez de alimentos e ataques constantes de drones. Ao fim da missão, havia perdido 10 quilos. “Passei cerca de 20 dias na posição. Passei três dias sem água e perdi 10 quilos nesse período”, contou. Marcelo nasceu em Cascavel, no Oeste do Paraná. Ele morava há um ano nos Estados Unidos e viajou para a Ucrânia em fevereiro deste ano com a expectativa de atuar como médico de combate, devido à sua experiência como bombeiro da Defesa Civil do Paraná. No entanto, logo na primeira missão, foi mandado para a linha de frente da infantaria – onde estão soldados que ocupam trincheiras, posições defensivas e avançam sobre territórios inimigos. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp Em vídeo enviado ao g1, ele mostra o interior do bunker onde permaneceu durante parte da missão. As imagens mostram um espaço improvisado, escavado no solo e adaptado com lonas e materiais de proteção. No local, Marcelo e outros quatro homens estão esquentando água da chuva com chocolate para se alimentarem. Assista acima. “É basicamente um buraco no chão. Muitas vezes nós mesmos construímos, cobrindo com madeira, lona e terra. Não há luz nem conforto”, relatou. Marcelo passou 20 dias em bunker Arquivo pessoal A primeira missão ocorreu apenas três semanas após desembarcar no país, na região de Zaporíjia, uma das áreas mais próximas das forças russas. "É uma região extremamente perigosa. Do grupo que fez treinamento comigo, metade morreu", contou. Segundo ele, a maior dificuldade não foi o combate direto, mas a falta de suprimentos. O abastecimento das tropas ucranianas é feito por drones e, quando os equipamentos são abatidos, os soldados podem ficar dias sem receber alimentos ou água. “Banho praticamente não existe na linha de frente. Cheguei a ficar cerca de 40 dias sem tomar banho”, disse. A rotina, segundo ele, é marcada pelo isolamento. Os combatentes permanecem escondidos a maior parte do tempo e só deixam o abrigo quando é necessário. Leia também: OVNI no Paraná: Influencer filma luzes estranhas da varanda de casa e levanta suspeita de OVNIs Mega-Sena: apostas de quatro cidades do Paraná acertam a quina e levam prêmios Encontrado: Paranaense que desapareceu no Paraguai é encontrado a mais de 600 km de casa Drones são principal ameaça De acordo com Marcelo, os drones russos se tornaram o maior perigo para os soldados no conflito. “Eles são responsáveis pela maior parte das mortes na linha de frente”, afirmou. Ele conta que presenciou as mortes de vários companheiros, na maior parte dos casos, causadas por ataques de drones. “Meus amigos estavam a cerca de 100 metros da posição quando foram encontrados. Em seguida, vários drones atacaram e todos morreram”, relatou. Voluntário quer voltar ao Brasil Marcelo diz não se arrepender, mas pretende voltar ao Brasil Arquivo pessoal Apesar das dificuldades, Marcelo diz não se arrepender da decisão de participar da guerra. Contudo, seu contrato tem duração mínima de seis meses e ele afirma que pretende retornar ao Brasil após esse período. “Não me arrependo. Tomei essa decisão consciente dos riscos. Mas quero voltar para o Brasil assim que meu contrato terminar”, declarou. Hoje, ele aguarda a possibilidade de ser transferido para uma unidade especializada em operações com drones, considerada menos exposta do que a infantaria. Enquanto isso, ele espera a próxima missão em um local chamado de "casa segura", com estrutura de uma casa, mas sem energia elétrica. "Tomamos banho quando possível e dependemos bastante de powerbanks para manter os equipamentos funcionando. Como estamos em uma pequena vila no interior, tem um senhor que nos deixa tomar banho quente na casa dele uma vez por semana", diz. Ministério recomenda que brasileiros recusem propostas de ir para guerras Em junho do ano passado, o Ministério das Relações Exteriores divulgou um alerta sobre o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras, no contexto de guerras armadas. Segundo o órgão, tem sido registrado aumento no número de casos de brasileiros que morrem em conflito ou que encontram dificuldades para interromper a participação no serviço militar. Por isso, o ministério recomendou que propostas de trabalho para fins militares sejam recusadas. De acordo com o órgão, a assistência consular, nesses casos, pode ser "severamente limitada pelos termos dos contratos assinados entre os voluntários e as forças armadas de outros países". A guerra entre Rússia e Ucrânia A guerra na Ucrânia começou em fevereiro de 2022, quando o presidente russo Vladimir Putin autorizou uma ofensiva militar contra o território ucraniano. Desde então, a guerra provocou milhares de mortes, milhões de refugiados e intensos combates, especialmente no leste e sul do país. A Ucrânia conta com apoio militar, financeiro e humanitário de países como os Estados Unidos e a União Europeia. A Rússia, por outro lado, enfrenta sanções econômicas internacionais. Apesar das negociações em curso, não há perspectiva concreta de fim da guerra. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Oeste e Sudoeste.