Violeta, de 9 anos, fica ferida após ser atingida por tiro de arma de pressão. Montagem/g1/Arquivo pessoal Após anos de brigas e ameaças, o produtor de eventos Thiago Silva, de 38 anos, acusa um vizinho de ter atirado em sua gata de estimação com uma arma de chumbinho em Guarulhos, na Grande São Paulo. O caso ocorreu em 22 de abril e é investigado pela Delegacia de Investigações sobre o Meio Ambiente do município. Thiago mora há 28 anos com a mãe, de 73 anos, e a irmã, de 41, em uma rua sem saída no Jardim Pavarenti. Segundo ele, os conflitos começaram após a chegada de uma família vizinha ao local, há cerca de dez anos, e se intensificaram ao longo do tempo. A gata Violeta, de 9 anos, apareceu com um ferimento próximo à pata dianteira. Thiago acredita que o animal tenha sido atingido por um disparo de arma de chumbinho. Um laudo veterinário obtido pelo g1 aponta que a lesão é compatível com tiro de arma de pressão. O documento descreve um ferimento penetrante com formato circular e características compatíveis com projéteis disparados por armas de ar comprimido, popularmente conhecidas como armas de chumbinho. Agora no g1 Imagens de câmeras de segurança obtidas pela família mostram o vizinho apontado por Thiago como suspeito retirando do porta-malas de um carro uma arma longa no mesmo dia em que a gata foi ferida. "Na hora que eu cheguei em casa, a minha mãe estava com a gata no colo. Ela me mostrou o que aconteceu. Minha irmã tinha acabado de acordar e me mostrou a imagem dele com o rifle na mão. Quando eu vi a gata com o buraco, eu juro para você que quase desmaiei. Eu falei: 'A que ponto chegou?' Eles ultrapassaram uma linha muito grave", afirmou. Apesar do ferimento, Violeta se recuperou. "Ela está bem, já está cicatrizada. Mas agora a gente está deixando-a dentro de casa. A gente mora em uma vila e não se sente mais seguro para deixá-la solta", disse. O caso foi registrado na Delegacia de Investigações sobre o Meio Ambiente de Guarulhos como prática de abuso contra animais. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso é investigado por meio de inquérito policial. "A equipe realiza diligências para esclarecer as circunstâncias dos fatos e responsabilizar o suspeito pelo crime", informou a pasta. O g1 não conseguiu localizar a defesa dos vizinhos citados por Thiago até a última atualização desta reportagem. Vizinho retira arma longa do porta-malas no dia em que a gata ficou ferida. Montagem/g1/Arquivo pessoal Histórico de conflitos Segundo Thiago, as desavenças começaram por questões relacionadas ao uso da rua, especialmente durante eventos realizados na residência dos vizinhos. "A gente mora numa rua sem saída. Quando eles têm algum tipo de evento, eles enchem a rua de carros e ninguém consegue sair", contou. Ele afirma que a mãe costumava pedir que os veículos não bloqueassem a passagem, principalmente em situações de emergência. "Já teve vezes de eu precisar levá-la ao hospital e ter que esperar tirarem os carros para conseguir sair." O produtor ainda compartilhou que, com o passar dos anos, os conflitos se tornaram mais frequentes e passaram a envolver ameaças e agressões verbais. Segundo ele, o primeiro episódio mais grave ocorreu após desentendimentos relacionados ao estacionamento. Thiago relata que teve o carro atingido em duas ocasiões. "Foi aí que tudo começou a escalar. Desde então, vieram as ofensas, as ameaças e os outros episódios", afirmou. Thiago afirma que, à medida que os conflitos se agravaram, passou a ser alvo frequente de ofensas homofóbicas. "Desde aquela primeira batida no carro, eu já era chamado de 'bicha', 'viado' e daí para baixo." Um dos casos mais recentes ocorreu em março deste ano. Em boletim de ocorrência registrado como injúria, Thiago relatou que um convidado dos vizinhos estacionou em frente à residência da família. De acordo com o registro, quando sua mãe pediu que o veículo fosse retirado, o homem a ameaçou. "Minha mãe saiu na porta e pediu para o cara tirar o carro. Ele falou que não ia tirar e disse para ela que estava bom de ela morrer", contou. Os conflitos já motivaram até mesmo intervenções da Polícia Militar. Em setembro do ano passado, Thiago precisou interromper uma apresentação como DJ em uma casa noturna no Centro de São Paulo após receber uma mensagem da sobrinha informando que a mãe havia passado mal durante uma discussão com os vizinhos. Segundo ele, a confusão começou depois que um cachorro da família vizinha — que já o havia mordido em outra ocasião — se aproximou da residência. Os cães da família passaram a latir, e a mãe do produtor lançou um tênis contra o portão para tentar assustar o animal e afastá-lo da frente da casa. Ao sair para recolher o objeto, ela teria sido alvo de provocações. De acordo com Thiago, a situação evoluiu para uma discussão entre os moradores. Ao saber do ocorrido, o produtor deixou o trabalho e voltou para casa. Segundo ele, ao pedir que os vizinhos respeitassem sua mãe, passou a ser ameaçado e alvo de ofensas homofóbicas. "Eles começaram a me xingar de 'viado', de 'bicha'. Vieram para me bater. E um deles falava insistentemente: 'eu vou te matar'", relatou. Medo dentro de casa O produtor afirma que os conflitos afetaram profundamente a rotina da família. "A gente vive com ansiedade. Minha mãe já teve picos de pressão e precisei levá-la ao hospital algumas vezes. Depois do que aconteceu com a gata, isso piorou", disse. Por causa do medo, a família instalou câmeras de monitoramento na residência e passou a acompanhar constantemente as imagens pelo celular — mesmo quando estão fora de casa. "É a única forma que eu tenho de tentar coibir esse tipo de coisa. Meu medo é alguém invadir a casa ou fazer alguma coisa com a minha mãe", afirmou. Thiago diz que o principal desejo da família hoje é deixar o local. "Eu confesso que me sinto incapaz. Meu maior desejo hoje é conseguir sair daqui. Pegar minha mãe, pegar minha irmã e ir para outro lugar. Mas eu ainda não tenho condições de fazer isso", disse.